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Crítica | Doctor Who – Série Clássica: An Unearthly Child (1963, Arco #1)

Entre história e ciência, a primeira aventura da TARDIS

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O arco An Unearthly Child, composto pelos episódios An Unearthly Child, The Cave of Skulls, The Forest of Fear e The Firemaker, marcou o pontapé inicial de uma das franquias mais importantes da ficção científica. É interessante olhar para trás e perceber o quanto a essência da série se renovou ao longo dos anos e como seu início foi fundamental para moldar o que veríamos, principalmente após o retorno em 2005. Dividido em quatro partes, o arco representa um relevante acerto da BBC na construção e apresentação da jornada do 1º Doutor nas telinhas. Com roteiro de Anthony Coburn e direção de Waris Hussein, An Unearthly Child é a primeira imersão do Doutor em uma narrativa que explora pontos importantes da história da humanidade, antes de se enveredar pelo universo alienígena.

William Hartnell, conhecido como o 1º Doutor, foi responsável por uma quebra de paradigmas na TV. Criado com a intenção de se tornar um novo ícone da ficção científica, o personagem apresenta características muito humanas, ainda que sua primeira aparição revele outros lados. Em resumo, sua missão era se estabelecer entre o público. Algumas de suas ações podem causar estranheza, mas tudo faz parte de um plano maior e bem elaborado.

Na estreia, somos apresentados à jovem Susan Foreman (Carole Ann Ford), uma aluna acima da média que desperta a curiosidade de seus professores Barbara Wright (Jacqueline Hill) e Ian Chesterton (William Russell). A estranheza que Susan, neta do Doutor, provoca em seus professores rapidamente se torna alvo de investigação. Algo que se tornaria recorrente nos episódios seguintes é a forma como o roteiro entrega a trama principal de cada arco, tratando o desenvolvimento como ápice, mais do que o desfecho.

Ian, professor de Ciências, e Barbara, professora de História, se encaixam perfeitamente na trama de An Unearthly Child. A veia investigativa dos personagens é apresentada de imediato, levando-os a seguir Susan até sua casa e descobrir o suposto avô. Sem excesso de explicações, o público é rapidamente apresentado à TARDIS e ao Primeiro Doutor. Sua primeira aparição chama atenção pelo tom usado ao lidar com aqueles que tentam ajudar sua “neta”.

Espantados e incrédulos, Barbara e Ian acabam embarcando, contra a vontade, em uma jornada que mudaria sua visão sobre o Universo. A TARDIS os leva a 100.000 a.C., no período paleolítico, quando a civilização buscava dominar o fogo. Essa escolha causa certa estranheza no público, já que os personagens estão envolvidos em uma trama histórica e não alienígena, como se tornaria comum após a modernização da franquia nos anos 2000.

É quase consenso que a junção dos quatro episódios funciona bem, embora com ressalvas. A primeira parte é, de longe, a mais interessante, por apresentar todo o cânone inicial. The Cave of Skulls, de certa forma, contribuiu para o desenvolvimento da narrativa, trazendo coesão ao reunir os personagens certos para resolver a problemática central. Por isso, o arco An Unearthly Child é lembrado mais pelo desenvolvimento da trama do que pela solução dos fatos na jornada dos personagens, apesar dos excessos típicos das atuações da época.

Doctor Who (1ª Temporada)
Arco: An Unearthly Child
Episódios: 4 (An Unearthly Child, The Cave of Skulls, The Forest of Fear, The Firemaker)
Roteiro: Anthony Coburn
Direção: Waris Hussein
Elenco: William Hartnell, Carole Ann Ford, Jacqueline Hill, William Russell, Derek Newark, Alethea Charlton, Eileen Way, Jeremy Young e Howard Lang
Canal: BBC
Exibição Original: 1963
Avaliação: ★★★★★

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