quinta-feira , 28 maio 2026
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Crítica | Doctor Who: Mortalha da Lamentação, de Tommy Donbavand

Uma aventura do 11º Doutor que mistura ficção e história real

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Doctor Who consolidou-se ao longo de 62 anos como uma das principais franquias de ficção científica na TV. Com o retorno da série em 2005, quando a tecnologia e os meios de comunicação já eram avançados, trouxe uma nova responsabilidade à franquia. Assim como o mundo passava por uma modernização desenfreada, Doctor Who precisou adaptar-se e, com isso, apostar em novas mídias.

Desde a série clássica, foi criado todo um universo expandido dos Doutores, seja em livros, áudio-dramas ou quadrinhos. Essa expansão trouxe ainda mais coesão à saga dos Doutores e suas companions, fazendo com que aventuras interessantes fossem apresentadas ao público. Mortalha da Lamentação, escrito por Tommy Donbavand, traz como protagonistas o 11º Doutor e sua companion, Clara Oswald. Diferentemente de parte das suas tramas, temos o Doutor em uma aventura que se passa nos Estados Unidos. A proposta do livro segue os mesmos moldes dos episódios da série de TV: um grande caso que precisa ser resolvido e que, como consequência, pode alterar a rotina — neste caso, do nosso planeta.

Um aspecto interessante da trama é a forma como mescla ficção com história real. O Doutor, com a ajuda de Clara, enfrenta um inimigo chamado Mortalhas. Esse inimigo escolhe a Terra, mais especificamente os Estados Unidos, em um momento delicado desencadeado pela morte do presidente John F. Kennedy.

Situado na cronologia do 11º Doutor, Mortalha da Lamentação pode ser considerado como um dos últimos suspiros antes de sua regeneração e da chegada do 12º Doutor. Especificamente, a trama do livro se encaixa no enredo da 7ª temporada da série, estrelada por Matt Smith e Jenna Coleman.

As Mortalhas são conhecidas por se alimentarem da tristeza. Elas escolhem a Terra, mais especificamente os Estados Unidos, que lidavam com a morte de seu então presidente, o que desencadeia uma série de mortes e leva pessoas a mergulharem nas mais sombrias lembranças de suas vidas. Entram em cena o Doutor e Clara que, com a ajuda do FBI, investigam esses estranhos acontecimentos. A mobilidade da narrativa faz com que o leitor conheça os planetas Semtis e Venofax, além de um epílogo situado no ano 3006.

O livro se encaixa perfeitamente no estilo Doctor Who de contar uma história. É fácil perceber que esse enredo não funcionaria com qualquer outro Doutor ou em qualquer outra franquia de ficção científica. Mortalha da Lamentação, mesmo com um número limitado de páginas, não perde ritmo. Tommy Donbavand é um excelente condutor de personagens e mantém uma linearidade que fortalece o conjunto da obra.

★★★
Doctor Who: Mortalha da Lamentação (Doctor Who: Shroud of Sorrow), de Tommy Donbavand, foi publicado originalmente em 2013 pela BBC Books (UK). No Brasil, chegou em 2015 pela Editora Suma, com tradução de Cláudia Mello Belhassof. A edição conta com 176 páginas.

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